11/12/2011

Reportagem de Maurício Ferraz e Alberto dos Santos, que foi ao ar na edição deste domingo (11 de dezembro) do programa Fantástico, da TV GLobo, demonstrou a situação que envolve a segurança dos juízes que atuam no interior da Paraíba. Veja aqui o vídeo.

A matéria "Guerra entre famílias causa em torno de cem mortes no sertão do Brasil" fala sobre uma guerra que se concentra na região de Catolé do Rocha, no sertão paraibano, envolvendo duas famílias tradicionais: os Suassuna e os Batista Mesquita, conhecidos na região como família Oliveira. No começo, a briga era por questões políticas.

"O motivo, hoje, não é poder, não é dinheiro. É só vingança pessoal. Você matou meu pai, eu vou matar seu filho", explica o delegado regional André Rabelo.

Por causa dessa guerra de famílias, 21 pessoas foram presas neste ano na operação policial Laços de Sangue.

Depois das prisões realizadas na operação Laços de Sangue, o medo de ser a próxima vítima não fica restrito mais aos integrantes das duas famílias. No fórum de Catolé do Rocha se concentra a maior parte dos processos contra as famílias Oliveira e Suassuna. No local, existe todo um esquema de segurança para proteger os dois juízes da cidade. Os policiais ficam armados inclusive com fuzil.

O juiz Fabrício Meira Macedo conta: "Só mesmo com esse aparato de segurança para que a gente tenha a tranquilidade necessária para se concentrar nos processos".

Os juízes estão fazendo um mutirão para que os processos sejam julgados rapidamente.

"A gente tem que desenvolver o nosso trabalho com imparcialidade, com independência e sem deixar se intimidar", alega o juiz Antônio Eimar de Lima.

Às cinco horas da tarde, os juízes deixam o fórum. Policiais de elite da Civil e da Militar se preparam para fazer a escolta.

Entre as autoridades que já foram ameaçadas, estão o delegado que investigou o caso e a juíza da cidade de Patos, também na Paraíba, Higyna Bezerra. Foi ela quem decretou as prisões de integrantes das duas famílias. O Fantástico acompanhou um dia de trabalho dessa juíza. Higyna anda escoltada e sempre deixa uma arma pronta para o uso. E não é só. "Foi necessário mandar blindar o carro, porque não me sentia segura para andar mais em carro normal", conta a juíza.

A morte da juíza Higyna Bezerra teria sido encomendada por R$ 100 mil, a mando da família Oliveira. Quem denunciou foi um preso acusado de homicídio. A equipe do Fantástico foi atrás dele em um presídio de segurança máxima. Segundo a polícia, Kléber do Nascimento Neres, o Kléber Chocolate, é um pistoleiro. Ele confirma que autoridades estão marcadas para morrer: "Os juízes correm risco de vida. E muito. Porque eles entraram em uma guerra que não tem nada a ver com eles".

Para a equipe do Fantástico, Kléber Chocolate diz que não é pistoleiro e nunca matou ninguém, mas confirma ter recebido várias propostas: "Já falaram que tem uma pessoa para matar e paga R$ 20, R$ 30 mil. Oferecia pistola, carro, moto. Tem mais pessoas marcadas para morrer. Essa guerra não acabou nem vai acabar".

"Isso não vai impedir de agir, isso não vai me impedir de continuar à frente desse processo, buscando justiça para as pessoas", garante a juíza Higyna Bezerra.

 

 

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Assessora de Imprensa - Jaqueline Medeiros